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Mostrando postagens de Dezembro, 2014

Percepção de um tempo.

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Você percebe que é Natal quando as ausências começam realmente a pesar. E entre luzes que vão piscando incansavelmente, você encontra o brilho de um instante. Você começa a perceber que chegou o Natal quando qualquer barulho parece um som e quando cada som retrata uma canção. Seu pensamento procura abrigo no que é belo, seus olhos alcançam o impossível e sua percepção de felicidade acaba superando os momentos. É Natal quando o gosto pelas coisas simples se engrandece. E dentro deste tear de uma incansável inspiração, palavras emanam da alma luzente, versejando aquilo que passa imperceptível diante dos olhos. Você acredita que é Natal quando deixa de ver as dificuldades da vida e se supera. Quando esquece a distância e reencontra o que se faz distante. Quando as perdas, por elas só, inspiram e ensinam a valorizar. Quando estranhamente dividido pelas horas cotidianas, se lembra de um sorriso e pára um pouco de correr sem direção, desdenhando a insuficiência do tempo. Ah o tempo... Aspecto ilu…

Os Apelidos Aparecidenses – Parte 1

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Mais importante que resgatar a memória de um lugar é manter viva as fontes onde se pode encontrar este resgate e trazer do limbo do esquecimento inúmeros “heróis populares” da Terra da Padroeira do Brasil, que com o passar dos anos, ajudaram a construir e a manter a riqueza do nosso cotidiano e da memória social do lugar. O resgate destes apelidos foi até onde minha memória conseguiu chegar, deixando de fora, despretensiosamente, alguns destes “heróis”. Mesmo assim, o reencontro foi muito além do que pensei que pudesse, descortinando um belo jogo de sílabas – por vezes um gostoso trava línguas – cujo seus criadores também ficaram esquecidos no tempo: Agapito, Anzol, Ado, Anjinho, Amendoim, Amor Divino, Alicate, Abobrinha, Antonio Queixinho, André Bruxo, Aqui Agora, Ai que ódio, Bi, Bil, Biá, Bié, Bizo, Béka, Buiú, Bogê, Bilo, Bina, Babú, Biti, Bozó, Bêsa, Bepi, Bibo, Bira, Boca, Bugê, Bijú, Bidú, Buda, Buia, Babá, Bibi, Bibil, Binda, Binho, Bolar, Brasa, Benil, Broca, Bijuca, Biluca, …

Os Apelidos Aparecidenses – Parte 2

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Apelido normalmente é uma coisa que ninguém gosta. Todos já tiveram algum nos tempos do colégio, mas a maioria se perde pelo tempo. Em quase todos os casos, o apelido fica quando a pessoa se sente incomodada ou atingida em cheio por ele. Em tempos de “bullying”, o apelido acabou se tornando um vilão. Mas notamos que muitas das pessoas “rebatizadas” em seus apelidos acabaram se incorporando de tal forma com a denominação que suas verdadeiras identidades corriam paralelas sendo usadas somente no cumprimento civil. Os apelidos mais populares em Aparecida atravessaram o tempo. Com eles, vinham antes os nomes ou parte deles numa nítida expressão que fosse capaz de “separar” um Zé de outro ou um João de outro João. Aqui, alguns apelidos que ainda fazem história e outros que ficaram na memória do lugar: Hitler, Hélio Bolinho, Henrique Tripa, il, ipê, ica, iê, ico, itu, iti, iéié, inhame, Índio do Brasil, Itaguaçú, Indião, Jóca, Juca, Japa, Jura, Jejeco, Jabuca, Juquinha, João Cabecinha, João Ban…

Os Apelidos Aparecidenses – Parte 3

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As cidades do interior se privilegiaram deste fenômeno fonético, que também pode ser considerado um acontecimento antropológico devido à compatibilidade cultural dos indivíduos, descrito sob uma linguagem simples e popular, preservando seu formato original e seu impacto na teoria da comunicação. Existem apelidos bem variados, pra todos os gostos: Raé, Rico, Reja, Ruço, Reizinho, Raminho, Rosinha, Robocop, Rei da Cocada, Ranhão, Ruela, Rato, Saravá, Saravazão, Soró, Sulí, Samuca, Simão Miné, Sansão, Smurf, Sabonete, Seriluia, Sabiguira, Sapinho, Sete Dedos, Sérgio Bolão, Sorvetinho, Tó, Tí , Tio, Tal, Tica, Tato, Têca, Teco, Tico, Tuta, Tita, Tóta, Tôta, Tuti, Téia, Téio, Tuca, Tuza, Teta, Taiá, Tune, Tado, Tifú, Tedo, Tabu, Totó, Tetê, Teté, Tatá, Tigun,  Ticão, Tição, Toiço, Tchan, Tom, Tino, Tinho, Tatau, Torto, Titica, Tcháia, Tarone, Taquinho, Tininho, Tiquinho, Tramelinha, Tovinha, Tézinho, Terrinha, Toquinho, Telefone, Tonho Sarro, Toninho Marvadeza, Toninho Lambança, Toninho Fe…

Os personagens da vida da gente

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De vez em quando, faço do meu horário de almoço algo ainda mais sagrado quando atravesso o centro de Guará e entro na atmosfera peculiar do Mercadão.
Lá no canto, à esquerda, tem um bar que vende comida caseira e vive lotado. Arranjar uma mesinha é uma nobre disputa. Às vezes, a gente se senta com algum desconhecido e acaba descortinando muitas histórias. Quase sempre, depois de saciar a barriga, a primeira coisa que faço é parar na banca do Sr. Adolfo que vende além de revistas e livros velhos, bananas. E fico ali fuçando os livros poeirentos que ele comercializa. Por vezes, sempre encontro algo interessante. Seu Adolfo veio de Minas Gerais para Guaratinguetá ainda garoto. Ali no mercado municipal seu Adolfo está nada mais nada menos que 58 anos. Uma vida toda. O último livro que peguei hoje com ele é um intitulado “Os Escritores de Guaratinguetá”, numa seleção de textos feita por Moacyr Limongi sobre Brito Broca, Francisco de Assis Barbosa e Homero Senna. Há algumas semanas atrás ad…

Além, mais além...

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Dias desses, minha mãe nos arautos dos seus 77 anos, me confessou ao pé do ouvido que queria comprar um celular. “E eu quero um celular deste de última geração, que tem até Internet”, disse-me mamãe. Ao me deslocar para aquele diálogo com mais atenção, ela lamentou-me ainda: “Mas eu não sei mexer nessas modernidades”... “Um celular desses mãe com Internet é um pouco complicado mesmo de mexer. Mas a Internet é uma coisa fabulosa. A gente pode ir a qualquer lugar do mundo por ela”... E ela pôs-se a pensar naquilo trancada num ensurdecedor silêncio. Mamãe, por conta da artrose em um dos seus joelhos, quase não sai mais de casa. Fica por ali mesmo, de lá pra cá, escorando na vida e cuidando dos seus garnizés e da casa. Passa quase todo dia sentada ao portão debruçada sobre um tempo, apreciando o bailar do cotidiano. No mesmo dia, eis que levo até ela a menina Larissa, que nos seus quase onze meses de vida, já ensaia uns passinhos. Conversávamos distraídos observando Larissa brincando no ch…